Playlist Noturna: de Caetano a Gonzaguinha
Nesta primeira lista, compartilho as músicas que tocaram na varanda aqui do sítio ontem: de Caetano Veloso a Gonzaguinha, passando por Belchior e Zé Ramalho. Um passeio pela MPB com histórias, letras marcantes e o clima perfeito para ouvir antes de dormir.
Quando comecei essa nova fase do site, que antes era meu portfólio, meu objetivo era completamente diferente.
Eu ia fazer uma curadoria, com foco somente em estética e design, e escrever sobre decoração, interiores, arquitetura e estilo de vida. Coisas que me são familiares e gosto bastante.
Cheguei a dar início ao projeto assim, mas voltei atrás. Decidi então falar sobre coisas pessoais também: o que gostei, aquilo que ouvi, que li, assisti e vivenciei.
Era isso que eu fazia quando tinha um blogspot, nos idos da internet, e que me fazia tão bem. Não um diário, mas algumas reflexões honestas que geravam conversas e aproximação com os leitores.
Esse é meu primeiro passo nessa (velha) nova direção. Vem comigo que no caminho eu te explico.
Por que uma Playlist?
Todas as noites antes de dormir, eu fico na varanda por algumas horas sozinha e ouço algumas músicas aleatoriamente no YouTube.
O repertório é sempre bem variado, como você vai perceber ao longo do tempo, e muda de acordo com lembranças que tenho durante o dia, com meu (bom ou não tão bom) humor e os acontecimentos em geral da vida.
Outras vezes, é puramente acidental.
Capa do álbum “Velô” de Caetano Veloso.
O que eu ouvi?
Caetano Veloso
Eu estava passando os olhos pelas pastas favoritas no meu iPad, quando bati os olhos na de Caetano Veloso e resolvi abrir.
A música do álbum “Velô” (ou seria Love?), foi então a primeira canção da noite.
“O Quereres”, uma verdadeira obra-prima de antíteses e metáforas, é a sétima faixa do lado B.
Essa estrofe é um exemplo magistral da poesia engenhosa de Caetano:
“O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim.”
“Velô” é o décimo sexto álbum de estúdio de Caetano Veloso, lançado em 1984 pela Philips Records. Vendeu mais de 100 mil cópias no Brasil, chegando a ganhar um disco de ouro.
Capa do álbum “Coração Selvagem” de Belchior.
Belchior
Rolei para baixo, depois do vídeo do Caetano. A música "Coração Selvagem", de autoria do cantor e compositor cearense Belchior, piscou para mim.
A canção foi lançada em 1977, dando título ao seu terceiro álbum de estúdio.
Em 1978, em depoimento a Ronaldo Bôscoli, Belchior contou que a música é uma homenagem a James Dean, de quem era fã desde os tempos do nordeste, e que a compôs no aniversário da morte do ator.
Depois de saber disso, este trecho ganha um novo sentido:
“Meu bem, o mundo inteiro
Está naquela estrada, ali em frente
Tome um refrigerante
Coma um cachorro-quente.”
O ator James Dean morreu em 1955 em um acidente de carro, aos 24 anos de idade.
Capa do álbum homônimo de Zé Ramalho.
Zé Ramalho
Quatro vídeos sugeridos apareceram depois de Belchior. Escolhi “Chão de Giz”, que é quase uma unanimidade para mim, e foi composta por Zé Ramalho em 1978.
A música narra o fim de um romance e foi inspirada em um relacionamento secreto que o artista viveu em João Pessoa, com uma mulher casada e mais velha. Segundo Zé, ela era uma figura influente da alta sociedade local.
O termo “chão de giz” representa a vulnerabilidade do romance, que se apagou rapidamente, assim como um desenho de giz no chão.
"Chão de Giz" foi lançada originalmente no mesmo ano, no álbum de estreia solo do cantor, intitulado "Zé Ramalho".
Capa do álbum “Grávido” de Gonzaguinha.
Gonzaguinha
“Lindo Lago do Amor” de Gonzaguinha, do álbum “Grávido”, fechou a noite de ontem. Ela despontou nos vídeos da barra lateral e eu não vacilei.
“Grávido” é um Long Play (LP) do cantor e compositor que foi originalmente lançado em 1984. Anos depois, em 1997, foi relançado em CD.
A canção foi inspirada na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, onde Gonzaguinha vivia. Ele se mudou para a cidade na década de 1980 e costumava passear de bicicleta diariamente pela orla da lagoa.
Gonzaguinha se casou com a mineira Louise Margarete, a Lelete, por isso se mudou para lá. Ali morou até o dia de sua morte em um acidente de carro, em abril de 1991, aos 45 anos.
A música é o relato do amor correspondido e bem-sucedido que gerou Mariana, a única filha do casal, que aparece com ele na capa do álbum.
Ouça a Playlist Completa
Caetano Veloso - O Quereres (do álbum Velô, 1984)
Belchior - Coração Selvagem (do álbum Coração Selvagem, 1977)
Zé Ramalho - Chão de Giz (do álbum Zé Ramalho, 1978)
Gonzaguinha - Lindo Lago do Amor (do álbum Grávido, 1984)
Essa é a Playlist completa no meu canal do YouTube para você ouvir comigo e compartilhar.
Eu vou adicionar todas as músicas que ouço na varanda, em ordem, nesse mesmo link. Assim estaremos sempre na mesma sintonia.
Vamos cantar, tocar, e (por que não?) dançar juntos? Bora lá!